2023-02-21
O anúncio foi realizado pelo presidente da Câmara de Vagos, Silvério Regalado, na última Assembleia Municipal, que aconteceu na sexta-feira passada, no Centro de Educação e Recreio (CER) de Vagos. Foto: GoogleMaps
A última sessão de Assembleia Municipal de Vagos que aconteceu, na sexta-feira passada, no Centro de Educação e Recreio (CER) de Vagos, ficou marcada pelo anúncio da possibilidade de encerramento definitivo dos postos de saúde de Covão do Lobo e da Gafanha da Boa Hora.
Naquela que deveria ter sido uma reunião entre a Câmara de Vagos e o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Baixo Vouga para esclarecimento de assuntos como a criação da Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Aveiro, uma possível candidatura ao PRR para a requalificação das instalações do posto médico da Gafanha da Boa Hora e o ponto de situação do encerramento do posto médico de Covão do Lobo, acabou por ser o momento em que o ACES colocou em cima da mesa a possibilidade de encerramento definitivo desta última unidade e, quando nada o previa, o da Gafanha da Boa Hora também.
“Eu transmiti com clareza aos que estavam na sala que a Câmara seria totalmente contra o encerramento de qualquer unidade de saúde”, adiantou o presidente da Câmara de Vagos, Silvério Regalado, que ficou com a ideia de que o processo negocial continuava.
Oficiosamente, o edil vaguense foi informado, na terça-feira da passada semana, que “a decisão da Saúde era encerrar o Covão do Lobo e encerrar a Gafanha da Boa Hora”.
O autarca considera que, com a possível candidatura de ampliação das Unidades de Saúde dos Lagos (Soza) e de Ponte de Vagos, o próximo passo do Governo vai ser encerrar o posto de saúde de Ouca.
Os presidentes da União de Freguesias de Fonte de Angeão e Covão do Lobo, Albano Gonçalves, e da Junta de Freguesia da Gafanha da Boa Hora, Arlindo das Neves, mostraram-se revoltados. O primeiro, tendo em conta que foram exigidas obras para evitar este encerramento, que custaram ao Executivo cerca de 40 mil euros. O segundo, uma vez que nunca se tinha falado no encerramento do posto de saúde da sua Freguesia, mas sim na sua suspensão.
Partidos unidos na defesa da manutenção dos postos de saúde do concelho
Depois de ter sido dada a explicação do sucedido, o presidente da Câmara de Vagos, Silvério Regalado, mostrou-se convicto de que os partidos, independentemente da cor, se manteriam unidos e lutariam lado a lado pela mesma causa.
O porta-voz do grupo municipal do PSD, Nuno Moura, acabou por sugerir a criação de uma Comissão de Acompanhamento desta situação, grupo que será presidido pelo Presidente da Assembleia Municipal, Rui Santos, e que contará com um representante de cada partido com assento neste órgão.
“Este é o momento para o Partido Socialista brilhar aqui na Assembleia Municipal e mostrar aquilo que vale a influência que vai ter junto do Governo”, acredita Nuno Moura.
O socialista, Bruno Julião, em nome do grupo municipal, mostrou-se disponível para trabalhar em prol desta causa que, na sua perspetiva, “carece de muitas explicações”.
Do lado do CHEGA, a solidariedade também chegou. “Até porque tenho dezenas de relatos com alguma da população menos abonada em termos socioeconómicos que convergem numa coisa: não posso ir a uma consulta noutra localidade do concelho porque não tenho transporte próprio, não tenho meios para pagar um táxi ou não tenho transportes públicos”.
Apesar de compreender, no seu lado imparcial, o porquê do encerramento destes postos de saúde, Alexandre Marques, do CDS, acabou por referir que, enquanto cidadão e munícipe de Vagos, “não consigo compreender isso”.
Em Águeda, o Ministro da Saúde, Manuel Pizarro, à Vagos FM confessou não estar a par do caso de Vagos, mas garantiu que “esse como todos os casos serão acompanhados por nós com todo o carinho”.